-Sinto muitíssimo pelo luto. Sei que agora está solitário, mais do que o de costume. Mais meu amor, olhe envolta, e veja que não estás sozinho. Sempre brigamos, e essa guerra eterna entre poderes creio que demorarás a ter um nocaute. Mas por mais que insista em ser assim, egoísta e desalmado, vou estar ao seu lado. Por mais que insista em ser rude e querer mais que tudo distanciar aqueles que o mais ama, eu sempre estarei do seu lado.
-E por que farias isso?
-Porque...-pensei e engasgadas ficaram. São três palavras, sete letras, um sentimento, o maior- eu te amo.
- Bem, é uma pena.- disse ele.
Entrou sem ao menos olhar para trás. Senti uma dor forte no peito, um vazio, um sopro. Elas foram escorregando pelas minhas bochechas, e pude senti-lás. Com vergonhas as limpei. De volta ao funeral sem dizer absolutamente nada.
Dias se passaram, por se quer um segundo esqueci você, seus olhos, suas mãos, seu calor, seu gesto.
Os preparativos pro casamento de mamãe já estavam por fins. Uma celebração simples, só com a família. No centro da sala principal o juiz de paz já dava a benção final. O champanhe foi aberto por Cyrus, e quando já nos propunha o brinde a felicidade, Dorota vem até mim. O toque firme de sua mão sobre meus ombros me deixaram aflita, e o peso de sua voz, fez com que me apressasse. Subi as escadas rapidamente, e ao entrar no quarto, você esta sobre minha cama. Sentado de costas para a porta lhe pergunto que diabos haveria de fazer ali, você com um leve mexer de músculos olhou para trás.
Seus olhos se envolveram novamente com o meu, pressenti que precisava de minha ajuda. Com a mesma ternura que lhe disse o que você mais queria, te coloquei sobre meus braços, e ali ficamos. Imobilizados. Ainda entorno de suas entranhas, sinto se mexer, como se nada mais me deixasse feliz, retribui-se o meu carinho. Suas mãos encontro minha face e deitamos. Por nada desse mundo te larguei. Adormecemos.
