sexta-feira, 15 de outubro de 2010

remembering sunday

A notícia veio ao se chocar enquanto nossos corpos ainda se encontravam, num balanço continuo, num ritmo confortável, radiante. Com pressa nos distanciamos, e com desespero te vi saindo pela porta da frente. Minha estadia ao centro do salão foi perceptível, imóvel e boquiaberta permaneci. Dessa vez o banco de sua limousine não nos acolheria como da última vez, fui para casa sozinha, sem ao menos poder me despedir, e agradecer por cada segundo que discutimos. Sem ao menos perceber, os músculos nobres que se conjugam ao redor de minha boca, se contrairem. E foi aí que percebi como é bom estar envolvida em seus olhos.
-Sinto muitíssimo pelo luto. Sei que agora está solitário, mais do que o de costume. Mais meu amor, olhe envolta, e veja que não estás sozinho. Sempre brigamos, e essa guerra eterna entre poderes creio que demorarás a ter um nocaute. Mas por mais que insista em ser assim, egoísta e desalmado, vou estar ao seu lado. Por mais que insista em ser rude e querer mais que tudo distanciar aqueles que o mais ama, eu sempre estarei do seu lado.
-E por que farias isso?
-Porque...-pensei e engasgadas ficaram. São três palavras, sete letras, um sentimento, o maior- eu te amo.
- Bem, é uma pena.- disse ele.
Entrou sem ao menos olhar para trás. Senti uma dor forte no peito, um vazio, um sopro. Elas foram escorregando pelas minhas bochechas, e pude senti-lás. Com vergonhas as limpei. De volta ao funeral sem dizer absolutamente nada.
Dias se passaram, por se quer um segundo esqueci você, seus olhos, suas mãos, seu calor, seu gesto.
Os preparativos pro casamento de mamãe já estavam por fins. Uma celebração simples, só com a família. No centro da sala principal o juiz de paz já dava a benção final. O champanhe foi aberto por Cyrus, e quando já nos propunha o brinde a felicidade, Dorota vem até mim. O toque firme de sua mão sobre meus ombros me deixaram aflita, e o peso de sua voz, fez com que me apressasse. Subi as escadas rapidamente, e ao entrar no quarto, você esta sobre minha cama. Sentado de costas para a porta lhe pergunto que diabos haveria de fazer ali, você com um leve mexer de músculos olhou para trás.
Seus olhos se envolveram novamente com o meu, pressenti que precisava de minha ajuda. Com a mesma ternura que lhe disse o que você mais queria, te coloquei sobre meus braços, e ali ficamos. Imobilizados. Ainda entorno de suas entranhas, sinto se mexer, como se nada mais me deixasse feliz, retribui-se o meu carinho. Suas mãos encontro minha face e deitamos. Por nada desse mundo te larguei. Adormecemos.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

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Adolescência

Expectativas

Um grande grupo de amigos, fugir da casa, o meu primeiro beijo, noitadas sob as estrelas, chorar no ombro do meu melhor amigo, passar de ano, sair por aventuras, sair da minha cidade, fogueiras, contar segredos, a sensação -e
gostar- de se apaixonar pela primeira vez, viagens, festas, se perder, risos intermináveis e o ano mais feliz da minha vida.

Realidade

Se sentir sozinha, ficar em casa, tarde da noite estudando para a prova de matemática, andar de madrugada, o cansaço, na escola o dia todo e lição de casa a noite toda, não ser notada, aplicações da faculdade, preso em uma cidade que eu odeio, sentir nada remotamente perto do amor, manter tudo engarrafado, chorar com muita frequência, gastando tempo demais na Internet, esperando o melhor ano para vir.

sábado, 2 de outubro de 2010

dentro de mim mesma.

Tocavam-lhe os pés com tremenda tensão. O calor da areia subia por entre as correntes nervosas de seu corpo, as pedrinhas de que tal era composta, entrava, por dentre seus dedos e cócegas faziam-na rir para o nada. O ar quente que soprava, pesava em seu rosto, deixando gotículas de suor surgirem pelos poros. Sem nenhuma pressa de chegar até ali, sentiu a cola que o sal propunha a confrontar-se a sua pele trazida juntamente a água, faz com que apenas mais alguns passos forçados contra a correnteza, pudesse sentir a esplêndida pressão do mar sobre sua entranha. E então, relaxa. Soltando junto com as bolhas de ar, a mágoa.