Era como se fosse uma eterna rotina. Parada a frente do compacto armário sem qualquer movimento imediato ao estridente barulho que vinha do corredor a suas costas. Seus olhos envolvidos nas fotos coladas alí, trazendo-lhe lembranças de uma época boa, uma época feliz. Não tinha rancor ou até mesmo revolta. Seria muita burrice da sua parte ainda se culpar pelo acidente. Seus momentos juntas foram os melhores, momentos felizes, de segredos, risadas, brincadeiras, carinho, conselhos, broncas e até mesmo, as mais sinceras lágrimas que escoriam em seus rosto depois daqueles filhos da puta terem estragados suas vidas. Mais de alguma forma, aquele abraço quente e estramamente reconfortante, salvava-lhes de dormirem com os pijamas molhados.
Intensas, nunca se largavam. Sempre juntas, denominadas inseparáveis por quem as via. Se consideravam irmãs, aliás, o termo "bests" já não mais existia. Sempre assegurando todos de que aquela relação era eternamente duradoura. Enfim, estupides mesmo foi elas terem acreditado no "pra sempre". As duas palavras que mais nos decepcionam quando realmente estamos envolvidos em algo assim, intenso.
Com os toques suaves na fria porta, era fechada com delicadeza. Logo se ouvia o som das fechaduras se encontrando, e por fim, trancada. Um leve movimento dos músculos, a fazem sentir as salgadas gotículas se escorrerem pelas suas frias bochechas. As limpava com rancor por ainda se lamentar pelos acontecimentos. Contudo, sentia sua falta. Sua presença sempre fora marcante, não havia como notar sua ausência. De maneira alguma se imaginaria sem ela.
Mais como muitos de nós sabemos, a vida não é justa e sem motivos explicáveis acidentes sempre tem de acontecer e com elas não foi muito diferente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário