domingo, 4 de setembro de 2011

Olhos de ressaca.

Entre a música alta e ao redor dos estranhos que chamávamos de amigos, você estava sentando abaixo de mim, e por mais que eu tentasse, não conseguia ouvir as palavras que saiam do seus lábios. Estava abafado. Você naquele smoking que não estava nem um pouco ajustado as suas proporções, e eu sofria no espartilho do vestido que me prendia o ar.
A pergunta que não soube responder, me fez sentir o toque da suas mãos sobre o tecido grosso que estrangulava meu corpo, você me puxou pra perto do seu rosto e levemente pronunciou as letras como já mais havia notado. A música parecia ter sofrido algum tipo de alteração nas mãos daquele que a regulava, estava baixa. Ninguém mais parecia se importar com nada, contudo ainda percebia seus corpos contorcendo com a sonoridade fraquíssima. E sem tempo para me esquivar, lá estavam eles, escuros e pequenos como sempre, fundos, que me tragavam para dentro de algo que me colocava medo, me tragavam com tanta força que força não bastava. Estávamos sem palavras.