terça-feira, 3 de maio de 2011

Wild World

Olhei pra trás, para a dramaturgia que vivi e não queria mais. Não quero. Ao chegar no ponto que se ri do choro, que se aproveita da antiga dor, é que estamos cicatrizados das feridas. Mas quando se ri e se aproveita ao exagero, é desespero.
Me disseram uma vez, para sobreviver você precisa ser louco. Ser louco a qual ponto? Ao ponto da vida correr? De não se aproveitar nenhum pouco dela? Ou louco de viver intensamente o pranto que desfila na nossa cara a todo momento? Bom, pra tudo se tem o meio termo.
Não se importar com nada é bom, tão bom que se esquece do que é se importar. Se perdendo nos dias, se perdendo nas semanas, meses. Mas pra quem já passou meio ano na escuridão, pra que destacar quatro meses de luzes acesas?
Perguntas, perguntas que me fiz durante um tempo. Perguntas que não me responderam sobre o importar-se, sobre a solidão, sobre amor, sobre mim.
Não enxerguei porque não queria ver, não por falta de vontade. Me afastei porque eu estava com vontade de sumir, ser agradável o tempo todo, me desgastou. Enlouqueci, sim. Enlouqueci, mas ah, não seja modesto em pensar que enlouquecer é parar em hospícios, eu enlouqueci porque quis. Novamente, minha escolha.
Não me julgue, mas estava bom assim. Nem se quer chorei, nem se quer reclamei. E ai você volta. O praga que rogaram pra cima de mim! Não quero ficar no escuro, não quero sentir a dor que aproveitei, também não quero o choro que ri, e não quero ser sã. Quero a insanidade que hoje tenho, a insanidade que desejei, a insanidade do não se importar, a insanidade de não você.